Pages

Subscribe:

22 de dezembro de 2011

O que eles acham disso?

VEGANO pediu para ativistas vegans comentarem o caso do Yorkshire.

“Uma pessoa que faz isso com um animalzinho totalmente indefeso, na frente de uma criança, não tem condições de viver em sociedade, deveria estar trancada numa prisão. Infelizmente não há lei que puna com o rigor que o caso necessita. Enquanto nossos legisladores não incluem os animais em igualdade com os homens, casos como este continuarão acontecendo, infelizmente.”
Fabio Paiva, ativista e fundador do grupo Holocausto Animal.

"Casos de maus tratos a animais estão ganhando espaço na mídia e bombando nas redes sociais. Isso é bom, apaga um pouco aquela coisa de que 'animais são produtos'. Espero que as pessoas se lembrem disso na hora de escolher o que comer e o que vestir. Este caso de Goiânia é horroroso, como tantos outros. Mas não devemos esquecer que apenas no Mato Grosso um boi tem a garganta cortada a cada 8 segundos. Isso é muito mais revoltante e precisamos nos esforçar, a partir de nossas escolhas, para acabar com essa indústria."
Fabio Chaves, ativista e criador do site Vista-se.

21 de dezembro de 2011

O caso do Yorkshire

Vítima de maus-tratos, cadela Yorkshire aparece molhada após agressões.

Quarta-feira, 14 de dezembro.

Uma mulher chuta e atira violentamente seu Yorkshire no chão. As atrocidades persistem. No mesmo local há uma criança de 2 anos. Alguém filma tudo e publica o vídeo no Youtube. Rapidamente o caso se espalha.

Quinta-feira, 15 de dezembro.

Circularam comentários por toda web. Todos se mostraram indignados. Não demorou muito para aparecer os dados da agressora: Camila Correa, uma enfermeira que mora na cidade de Formosa, interior de Goiás. Esposa de um médico e mãe de uma menina de 2 anos.

Flagra: Momento que Camila é filmada agredindo sua Yorkshire na frente da filha.
****
Antes de parar na internet, o vídeo chegou a ser entregue a uma delegacia – diferente do que se pensava. Carlos Firmino Dantas, delegado responsável pelo caso, disse à imprensa que abriu um inquérito no dia 21 de novembro, quando recebeu uma denúncia anônima e uma cópia com vídeo.

A repercussão do caso fez com que a denúncia deixasse de ser anônima. O autor das imagens chama-se Claudemir Rodrigues Maciel. Ele estava hospedado na casa da vizinha da enfermeira, Vera Lúcia da Silva, que levou o vídeo para a polícia.

O R7, portal de notícias da Rede Record, chegou a publicar que Vera Lúcia e suas filhas chamaram a polícia e os bombeiros para tentar salvar o cachorro. Porém, o animal foi encontrado morto no gramado do prédio. De acordo com a reportagem, existe um vídeo não divulgado que mostram essas cenas.

Os fatos fizeram especulações caírem por terra. “Realmente à primeira vista, quando se sabe de uma atrocidade destas a primeira pergunta que fazemos é: ‘Por que filmou e não denunciou? ’, pois saber de um crime e não denunciar é uma ação muito grave, ainda mais quando envolve a vida de um inocente e na frente de uma criança”, explicou Denise Valente, advogada ligada a causa animal, que confessou não ter arrumado coragem para ver o vídeo na época.

“Mas vi no Jornal Hoje, da Rede Globo, que esse fato aconteceu há cerca de um mês e que a pessoa que fez o vídeo entregou uma copia dele sim para a polícia e que o caso está sendo investigado”, conta a advogada.
O caso causou comoção internacional. A 1° DP de Formosa chegou a receber cerca de 1000 mensagens de países como Canadá, Itália, Alemanha e Estados Unidos – a informação é do G1. No Brasil, uma petição online, que pedia a prisão de Camila, teve mais de 300 mil assinaturas.

Animais são mortos todos os dias pela indústria da carne e ninguém parece se importar. O que fez tantas pessoas se comoverem com o assassinato da yorkshire? Culturalmente, nos é ensinado que o cachorro é o melhor amigo do homem. Atrocidades praticadas contra esses animais revoltam as pessoas.

“O ocorrido foi com uma espécie animal de convívio estreito com o ser humano, por isso menos coisificado”, diz Nina Rosa Jacob, ativista e presidente do Instituto Nina Rosa. “Gostaria de lembrar das outras tantas espécies animais de convívio menos estreito com os humanos que são diariamente assassinadas em matadouros, aos milhares, cujos mandantes do crime são em grande parte esses mesmo seres humanos que se chocam com o crime contra a yorkshire. Galinhas, perús, bois, vacas, porcos, peixes são cruelmente assassinados sem dó nem piedade, para repor o "produto" cada vez que alguém compra ou consome a carne de um desses animais”.

Se o julgamento de Camila estivesse nas mãos do povo, ela estaria perdida. Muitos a condenam sem dó. Mas, ao contrário do que desejavam, ela não terá seu registro de enfermeira cassado e nem será presa. Sua pena exige o pagamento de cestas básicas ou a prestação de serviço à comunidade e uma multa de R$ 3 mil, aplicada pelo IBAMA. Isso porque a enfermeira colaborou com as investigações, foi qualificada como “tranquila” pelos vizinhos e porque nossas leis ainda são pouco rigorosas com quem maltrata animais.

“Acredito que essa é uma pena muito branda. O assassinato de um animal e de um humano, na minha opinião, devem ter a mesma punição, pois têm igual gravidade. No caso de animais, ainda é acrescida a covardia, pois assim como as crianças, os animais não têm como se defender”, opinou Nina Rosa.

“Com relação a multas, não creio que elas resolvam; e quando as há, nunca vão para algum fundo que vá propiciar melhorias na vida de algum outro animal. Em geral vão para um fundo perdido... Sugiro que seja criado um fundo destinado às organizações de proteção animal que estão fazendo há anos o trabalho do Estado, e pagando para trabalhar.”, acrescenta a ativista.

“A multa pune economicamente. A colaboração com as investigações, vejo como uma consequência natural do que foi registrado pelo vídeo. Colaborando ou não, não há como questionar fatos e nem diminuir a gravidade do que fez. Se ela e tantos outros que cometem crimes, têm possibilidade de pagar multa ou se o valor estipulado não lhes fizer falta, o resultado de buscar uma mudança de atitudes do infrator, quanto a não praticar mais o delito pelo qual foi punido ou quaisquer outros, é questionável. Não vejo como forma absoluta para impedir novos atos de violência”, avalia a advogada ligada a causal animal Cristina Greco.

Crueldades contra animais: O que fazer?

Você não sabe o que fazer caso seja testemunha de agressões a animais? Maria Cristina Greco, advogada ligada a causa animal, enviou o texto abaixo ao VEGANO. Saiba tudo sobre denúncias a maus tratos a animais.



Os maus tratos estão contemplados na lei de Crimes Ambientais nº 9.605/98. A lei garante os direitos dos animais até em casos de omissão, em que o causador de um acidente com os mesmos não venha a lhe prestar assistência e socorro.

O infrator poderá ser preso através de denúncia, desde que haja comprovação da autoria.

É ato de cidadania denunciar maus tratos a animais, sendo uma das formas de combater estes crimes.

Se a pessoa que faz a denúncia sofrer ameaças ela poderá denunciar esta prática que é considerada criminosa (art. 147 Código Penal) e fazer um Boletim de Ocorrência (BO). Esta pessoa também poderá fazer uma representação, por escrito, no Ministério Público, anexando-a ao BO.

Ao fazer denúncia de maus tratos a animais, sempre é bom levar uma cópia da Lei 9605/98 que “Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente...”, destacando o artigo 32:

“Art. 32. Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos:

Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.

§ 1º Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.

§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal.”

Na delegacia, após o escrivão ouvir o relato do crime e o ato assim for considerado, caberá a instauração de um inquérito policial ou a lavratura de um Termo Circunstanciado.

Na verdade o cidadão leva a notícia do crime à autoridade competente e quem denuncia é o Estado. Este ato de levar a notícia de um crime é ato de cidadania assegurado pela Constituição Federal. É um direito garantido aquele que presenciou um atentado contra um animal solicitar o concurso de autoridade policial e comparecer à uma delegacia para registrar a ocorrência.

Caso a pessoa não tenha presenciado o fato mas saiba que algo ocorreu, deverá, primeiramente, constatar se a denúncia é verdadeira e qual sua extensão, a fim de não incorrer no crime de falsa denúncia (artigo 340 do Código Penal).

É importante o crime ser previsto em pelo menos uma das leis de crimes ambientais e a coleta de provas, ou seja, fotos e/ou filmes e/ou depoimentos de testemunhas.

Alguns exemplos de maus tratos:
Abandonar, espancar, golpear, mutilar e envenenar;
Manter preso permanentemente em correntes; manter em locais pequenos e anti-higiênicos; não proteger do sol, chuva e frio; deixar em locais sem ventilação ou luz solar; não dar água limpa e comida saudável diariamente; negar assistência veterinária ao animal doente ou ferido; obrigar a trabalho excessivo ou superior a suas forças; capturar animais silvestres; utilizar animais em shows que possam lhe causar pânico ou stress; promover violência como rinhas de galo, farra-do-boi, etc.; atropelar animal e não prestar socorro, etc.

27 de novembro de 2011

Vitamina B12: Todo vegano precisa suplementar


No bate-papo sobre crianças veganas, no 1° Festival Vegetariano do ABC, um dos ouvintes não perdia a oportunidade de acrescentar alguma informação sobre a substituição correta dos alimentos na dieta vegetariana. Seu nome é Vinícius Leati, estudante de Nutrição na USP. VEGANO perguntou se ele aceitaria conceder uma entrevista. Além de explicar tudo sobre suplementação da vitamina B12, Leati deu três dicas que estão no fim dessa entrevista.

VEGANO - Qual a importância da suplementação de B12 para a dieta vegetariana?
Leati: A vitamina B12 é importante porque atua no sistema nervoso e na formação de sangue. No caso de deficiência, pode haver a anemia megaloblástica. Normalmente temos essa vitamina estocada e a perda diária é muito pequena, então sua deficiência pode levar um tempo para ocorrer. Como a quantidade em estoque é diferente para cada pessoa, o tempo para surgir a deficiência, caso não haja ingestão da vitamina, pode variar. Por isso é importante fazer exames para avaliar o nível de B12. O exame de “B12 sérica” isoladamente não é suficiente, o melhor é também fazer o de homocisteína, porque, se você tiver deficiência de B12, o nível de homocisteína aumentará.

VEGANO - Então são dois exames?
Leati: O melhor é fazer os dois exames. Na verdade, o melhor seria fazer também o ácido meltilmalônico, que é mais específico, mas seu custo é muito alto e nem todos podem fazê-lo. Normalmente com a B12 sérica e a homocisteína já é possível fazer o diagnóstico. Se a B12 estiver baixa e a homocisteína elevada, a probabilidade de haver deficiência é alta. O mais importante é você procurar um profissional da saúde, pode ser um nutricionista ou nutrólogo, que são profissionais diferentes, mas para avaliar exames bioquímicos qualquer um pode ser procurado. O hemograma completo também é necessário, porque caso haja anemia megaloblástica, é através dele que se faz o diagnóstico. Fazendo junto a B12 e a homocisteína, será possível saber se a causa da anemia é mesmo a deficiência de B12.

VEGANO - Dos exames que você falou, tem algum mais eficaz?
Leati: O ácido metilmalônico. Porém, como eu disse, seu custo é alto. O ideal é fazer a B12 e a homocisteína juntos.

VEGANO - Então uma pessoa que decida ter uma dieta vegetariana deve procurar um nutricionista?
Leati: É importante procurar um profissional, não que a alimentação vegetariana seja um problema, mas nós temos um padrão diferente de alimentação, e as informações, até mesmo na faculdade de nutrição, muitas vezes são de má qualidade. O padrão vegetariano pode variar muito. Por exemplo, um ovolactovegetariano que come muito ovo, leite e derivados e um ovolactovegetariano que só come leite e ovos quando estão na receita dos bolinhos e no brigadeiro da festa. Ambos são ovolactovegetarianos, mas o padrão alimentar dos dois é muito diferente, o café-da-manhã, almoço e jantar podem ser refeições totalmente distintas.

VEGANO - Você chegou a citar o café da manhã, o almoço e o jantar. É importante os vegetarianos respeitarem as refeições?
Leati: Não só os vegetarianos. Ter um hábito alimentar regular é importante para todos nós. Além de regular o metabolismo em relação ao gasto energético, distribuir mais a frequência das refeições pode melhorar absorção muitos nutrientes porque, vamos supor, você faz três refeições por dia. Você precisa absorver certa quantidade de cálcio, ferro, zinco etc. Quanto mais refeições você fizer, mais chances de absorver os nutrientes seu organismo terá. Mas também não precisa achar que agora você terá que fazer várias refeições ao longo do dia porque você só costuma fazer 3, até porque é importante também o que você come, não só quantas refeições faz por dia. Um nutricionista pode te ajudar com isso, avaliar se seria melhor distribuir mais as refeições, fazer alguma troca no que você come etc.

VEGANO - Você pode voltar a explicar a questão, discutida na palestra, que a vitamina B12 é produzida por bactérias?
Leati: A vitamina B12 é produzida por bactérias, porém não sabemos o quanto de B12 estamos ingerindo ao comer um alimento com essas bactérias. No caso do vegetariano, as únicas fontes de B12 são os alimentos fortificados, mas ainda assim a maneira mais segura é suplementar.

VEGANO - Então se uma pessoa consome leite de soja e cereais fortificados também precisa fazer suplementação?
Leati: Depende, mas é mais provável que sim, porque não há garantias de que a pessoa consegue consumir o necessário todos os dias. O melhor é procurar um profissional que irá avaliar a ingestão de B12 através desses alimentos, junto com uma avaliação dos exames bioquímicos. Caso a pessoa não seja acompanhada por um profissional, o melhor é suplementar.

VEGANO - E se a pessoa procurar um profissional que pense que a dieta vegetariana não é boa?
Leati: Eu, por exemplo, cansei de ir em endócrino para pedir exame de sangue e ouvir um monte de besteira. A questão é que, como eu estou me tornando um nutricionista, eu já sei algumas coisas com mais segurança. Eu leio bastante artigo científico aos quais tenho acesso na faculdade, então quando chego ao consultório tenho muitas armas contra os profissionais que não acreditam na dieta vegetariana. O importante é se informar em fontes seguras e acreditar no seu ideal.

Outras dicas de Leati: 
  • O nome da minha nutricionista é Daniela Miranda, que atende na rua Apinajés, em Perdizes.
  • A Ana Ceregatti é uma nutricionista muito competente, atende em consultório e atualmente escreve na revista dos vegetarianos. Ela atende na Av. Paulista, é só buscar o site dela: www.anaceregatti.com.br.
  • Existe um suplemento vegano chamado Veganicity. Custa R$ 76 mas dura muito tempo, pois só precisa tomar duas cápsulas por semana.

Mãe Vegana: "Minha filha vai crescer com a consciência da igualdade"

Súlivam, vegetariana há 11 anos, posa com a filha Clara,vegana desde o nascimento.

Súlivam Sena foi especialmente convidada para conduzir um bate-papo sobre crianças veganas no 1° Festival Vegetariano do ABC, que aconteceu no dia 30 de outubro em São Caetano. O convite não foi a toa, já que ela e Clara, sua filha de 3 anos, seguem uma alimentação vegana. Após o término de sua atividade no evento, VEGANO a chamou para uma entrevista.

VEGANO - Além de ser mãe, você é uma mãe vegana. Como é que é isso?
Súlivam: É uma experiência sublime. Porque você está trazendo um ser para o planeta já com outra consciência. Já introduzindo nessa criança a consciência da igualdade. Da igualdade entre raças, espécies, religiões, enfim, de que não existe essa “distorção” na diferença. A sociedade quer que vejamos assim, quer que julguemos e que estejamos “acima” dos demais, mas na educação com valores humanos aprendemos a unidade. Em todo o desenvolvimento da raça humana, as pessoas foram induzidas à competir. E hoje a gente vive em uma sociedade completamente desigual justamente por causa desse embasamento, que já está errado pela raiz, por causa dessa coisa de competividade. Existe o mito de que o espermatozóide, para chegar ao óvulo, correu mais que os outros e chegou na frente - a coisa do “number one”, “the best”. Na verdade, foi a força dele foi junta com a dos outros espermatozóides que o fez fecundar. Foi cooperação. Na verdade, não é a força da competividade que tá aqui. É a coisa da “complementariedade”. Do “um” ajuda o “outro”. Então assim, o lance de não comer carne e derivados, pensar em um mundo sem exploração (tanto do animal humano quanto a do animal não humano) nos leva à busca por um mundo justo, igualitário e fraterno. A Clara já tem essa consciência: ‘Espera aí! Eu quero ficar com minha mãe então acho que o bezerro quer estar com a mãe dele também, por isso... nada de leite e queijos’.

VEGANO - E ela já sabe que tem que respeitar os animais? Como foi ensinar isso?
Súlivam: Ela já sabe. Ela já entende. Todos os dias, conversamos (meu marido e eu) com ela sobre isso de uma maneira diferente. Porque sempre acontece algo inusitado, como, por exemplo, a gente está em uma festinha e aí tem um brigadeiro de origem animal com leite, então sempre tem a coisa do diálogo: ‘Não filha, espera aí, esse aí tem leite da vaquinha’. ‘Ah mamãe/ papai, mas é só agora!’ ‘ Só um pouquinho’. ‘Mas e aí? O bezerro já morreu e a vaquinha já foi escravizada, a vida deles por um momento de brigadeiro?’. E depois dá para introduzir um brigadeiro feito de soja, que vem da ‘terra’, que é diferente, também é vida claro, mas não tem um cérebro(sistema nervoso central), não tem um olho, não corre ou libera adrenalina na hora da ‘morte’. É outro tipo de consciência. O segredo está em não subestimar a inteligência das crianças. Elas entendem.

VEGANO - Você foi convidada para falar justamente sobre ser uma mãe vegana no Festival Vegetariano do ABC. Como você se sente?
Súlivam: A Luisa Pereira me chamou porque a gente já se conhece há algum tempo, uns dois anos quando na Natural Tech, onde fui voluntária da SVB (Sociedade Vegetariana Brasileira). A Clara ainda era um bebezinho e a Luisa já perguntou: ‘E aí? Ela vai ser vegana?’. E sim, ela já era vegan desde a barriga. Ela foi ao aniversário de dois anos da Clara onde tudo (bolo, salgadinhos, sojasco, docinhos) era vegan e ela achou um máximo. Começamos uma amizade a partir daí. Então esse convite de hoje me enche de felicidade por poder falar para as pessoas: ‘Desafiem sim esse sistema!’. Porque as ‘pessoas’ que estão inertes e conformadas em seus sofás não querem que você desafie. Quer que você obedeça, não questione e seja mais um (como elas). E a gente está aqui para cada um SER o que É, para questionar, duvidar, pesquisar... Negar a maneira como lidam com os seres todos. Nos colocar como formadores de opinião e lutar pela vida como um todo. A alma agradece. O planeta agradece. É uma alegria compartilhar isso e falar para as pessoas, ‘Escuta! Você é capaz também! Não vem não!’. Pois tem sempre alguém que fala, ‘ai eu acho que isso é para uma pessoa mais evoluída’, aí eu falo, ‘Quê? Nada a ver! Todo mundo é capaz! Se você não conseguiu ainda é por comodismo’. Você pode até falar, ‘não consigo por causa do comodismo, porque tenho preguiça, porque não quero enfrentar isso ou aquilo’. Mas que consegue, consegue. Qualquer pessoa consegue. Temos que mudar nossos padrões mentais, são eles os responsáveis pelo nosso aprisionamento na mesmice.

VEGANO - Queria que você falasse mais de como é quebrar um estereótipo. Pois as pessoas acham que uma mulher grávida não pode ser vegana ou uma mãe não pode educar seu filho com uma dieta vegana.
Súlivam: A maneira como eu lidei com isso foi provando e contestando. Eu estava grávida, fazia os exames, mostrava, estudava e pesquisava sobre alimentação. Claro que é preciso muita força mental, meu marido e eu a tivemos e isso foi fundamental. Está tudo no pensamento. Se tivéssemos uma mentalidade mais fraca ou deixássemos que as pessoas interferissem no nosso processo, provavelmente teria voltado à carne. Tudo começou no nosso padrão mental e na confiança que temos de que estamos no caminho certo. Animais são amigos e não alimento. PRONTO. Detalhe que na barriga Clara optou pela alimentação vegan, já que eu eu era ovolacto e com ela na “pança” não conseguia nem sentir o cheiro de derivados. Então, a ficha caiu e seguimos cada vez mais nossa intuição. Tem que ter essa certeza, ouvir o coração, de que você está fazendo algo por um bem maior, de não querer contribuir para a exploração e morte de outros seres.

VEGANO - Como se fosse uma motivação que faça você a buscar a harmonia entre saúde e ideologia?
Súlivam: Exatamente! Pois aí você vai estudar, ler, pesquisar. Você vai atrás de informações, de novos estudos... Quebrar um estereótipo não foi minha maior dificuldade. Estou à todos os momentos quebrando estereótipos, sou atriz e nessa profissão as pessoas fazem personagens com base na superfície e em estereótipos. Busco um outro tipo de vida e de arte. Rogério Che (meu marido) todos os dias me ajuda a ter essa visão de que não estamos aqui para seguir a mídia e os conceitos dessa sociedade desigual e falida. Portanto nossa arte não pode estar pautada por padrões sociais decadentes. Comer carne e derivados é decadente. Participar desse mercado assustador é triste e profundamente doloroso PARA TODOS. A maior dificuldade é lidar com essas pessoas que ficam te julgando e te questionando com perguntas sempre fúteis e repetitivas, o que cansa e altera um pouco o humor e a paciência. Mas ok, estamos todos no aprendizado. Chegaremos todos juntos, essa é a meta.